terça-feira, 8 de julho de 2014

A Copa do Campo

A poucas semanas do encerramento da Copa do Mundo no Brasil, a sucessão de imagens de estádios lotados, multidões de estrangeiros nas capitais e o entusiasmo patriótico dos cidadãos nas ruas parece ter sepultado de vez as  expectativas mais apocalípticas. Pouco a pouco, a  indignação com a gastança desenfreada foi sendo substituída pela torcida a favor da seleção, e os  protestos que prometiam  inviabilizar completamente a realização do evento ficaram para trás. Mas a discussão sobre o legado da Copa para o país ainda é válida, e propor uma reflexão fica mais fácil quando se tem os números corretos.            As estimativas mais otimistas, publicadas em estudo do Itaú-Unibanco, indicam que o PIB brasileiro terá um impacto de 1,5 ponto percentual nos próximos  três anos em decorrência da Copa, com criação de 250 mil  empregos em diferentes setores. É um alento para setores que vinham patinando, mas não será permanente.  Quem realmente tem promovido o crescimento econômico e impedido a queda do PIB é um setor pelo qual muitos setores da mídia mal conseguem esconder sua antipatia: o agronegócio. No ano passado, o campo produziu uma alta de 3,56% em relação a 2012 – na prática, o equivalente a duas copas e meia na economia nacional.

            Em termos de investimento, o campo (das fazendas) também dá de “goleada” no campo (de futebol). O governo federal gastou R$ 28 bilhões em estádios, e a Fifa já fala em um lucro de R$ 8 bilhões – sem dúvida, a copa mais lucrativa para a organização liderada pelo suíço Joseph Blatter. Para o país, o lucro total  ainda é bastante incerto. Já no caso do agronegócio, o governo federal anunciou um Plano Agropecuário de R$ 156 bilhões, sendo que a produção rural, em números totais, representa mais de R$ 1 trilhão na economia, 23% de todo o Produto Interno Bruto.  Ou seja, para cada real investido pelo governo no campo, retornaram para a economia R$ 6,00, e isso imediatamente. Não há  setor da economia em que o benefício para os brasileiros seja tão rápido e evidente.            Sim, torço para que o Brasil seja campeão na Copa do Mundo FIFA. Mas o que realmente nos alegra é  saber que, na Copa do Agronegócio,  o Brasil já está sendo campeão, e isso com um retorno bem mais consistente para o povo brasileiro.
Tarso Francisco Pires Teixeira
Presidente do Sindicato Rural de São Gabriel

Vice Presidente da Farsul