quinta-feira, 10 de outubro de 2013

"UM MATE AMARGO" PREÇO DA ERVA MATE SOBE MAIS DE 70% EM UM ANO EM SANTA MARIA

Quem tem o hábito de tomar chimarrão diariamente já reparou que a tradicional bebida do gaúcho tem um amargor diferente: o preço da erva-mate está cada vez mais alto nos supermercados. O custo para manter a tradição pode desmotivar os gaúchos na hora de fazer as compras. Em Santa Maria, o preço do pacote de 1kg aumentou 70,7% desde setembro do ano passado, conforme a apuração do Índice do Custo de Vida de Santa Maria (ICVSM), feito pelo curso de Economia do Centro Universitário Franciscano (Unifra). Em
Porto Alegre, a variação do item foi a maior nos últimos 12 meses: 56,22%, de acordo com a pesquisa de preços mensal feita pelo escritório da Fundação Getúlio Vargas (FGV) na Capital. A redução na oferta da matéria-prima para as ervateiras e, consequentemente, nos supermercados é a principal causa do aumento no preço da erva. Para o economista que coordena a pesquisa do ICVSM, Mateus Sangoi Frozza, muitos produtores acabaram trocando o cultivo da planta por grãos, que passam por um bom momento no mercado:
– Em aspectos práticos, funciona assim: os analistas de mercado previram recorde de safra e o câmbio valorizado. Alguns produtores que plantavam erva-mate pensaram que poderiam ganhar mais dinheiro plantando soja. Isso reduz a oferta de erva, e como consequência, o preço ficou mais alto. Por incrível que pareça, o vizinho da propriedade, que continuou cultivando erva-mate, acabou ganhando mais.
Para o economista, dificilmente os consumidores deixarão de consumir a erva-mate, apesar de mais cara. No mês passado, o preço médio na cidade era R$ 8,79 por kg. Um ano atrás, o pacote custava R$ 5,15.
Produção cai, preço sobe
Segundo o presidente do Sindicato da Indústria do Mate no Rio Grande do Sul (Sindmate), Alfeu Strapasson, o mercado está sendo regulado pela velha lei da oferta e procura. Conforme Strapasson, o baixo preço pago nos últimos anos aos produtores, aliado à valorização da soja, causou diminuição de 30% na produção da erva no Estado na última década – de 39 mil para 30 mil hectares em 2012.
De acordo com o presidente do Sindmate, a média hoje das lavouras gaúchas é de cerca de 10 mil kg por hectare, enquanto o ideal seria o dobro. Para piorar a situação, o período de entressafra começa neste mês e segue até dezembro. O que deve aumentar ainda mais o preço da erva.
– Não posso afirmar que o quilo chegará a R$ 20, mas dá para dizer que o preço ainda não está estagnado – afirmou Strapasson.
Em Júlio de Castilhos, o preço da erva mate ultrapassa os R$ 10,00.
TEXTO JULIANA GELATTI JORNAL DIÁRIOSM