quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Emater projeta nova supersafra e crescimento de 2,82% na produção de grãos para o verão 2014/2015

A safra de grãos das culturas de verão deve ser a maior da história do Rio Grande do Sul, com 27,6 milhões de toneladas colhidas, um aumento de 2,82% em relação ao ano anterior, prevê a Emater-RS/Ascar. Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (1) no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio, durante a 37ª Expointer, que segue até o próximo domingo (7). 
Conforme o secretário de Agricultura, Pecuária e Agronegócio do Rio Grande do Sul, Cláudio Fioreze, a estimativa é de uma nova supersafra, superando a produção de 2013/2014 - a maior safra da história, com 26,8 milhões de toneladas. “Estamos considerando apenas as culturas de soja, arroz, feijão e milho, e esperamos uma grande safra, pois temos todas as condições para isso. No que toca ao Governo do Estado, estamos disponibilizando crédito para todas as culturas, capacitação e assistência técnica aos produtores. E quando reunimos boas condições climáticas, o trabalho dos nossos agricultores e a assistência dos órgãos públicos, não tem como dar errado”, comemora Fioreze.
Entre os itens apontados como determinantes para a projeção da supersafra, estão o acesso ao crédito, investimentos em tecnologia, preços dos produtos aquecidos e boas condições climáticas. O número representa a injeção de R$ 21,8 bilhões na economia gaúcha, segundo a Emater-RS. O montante refere-se às culturas de soja, milho, arroz e feijão. Ainda segundo a instituição, em um período de 10 anos a produção de grãos da cultura de verão praticamente dobrou, passando de 15 milhões de toneladas para mais de 27 milhões. “Este é um trabalho de Estado, estamos capacitando e formando diversos produtores nestes últimos anos no intuito de fortalecer o agronegócio e a agricultura familiar nas pequenas propriedades. Estamos comprovando ano após ano que as pequenas propriedades também podem produzir competitividade, garantindo renda e trabalho para milhares de famílias”, lembrou o presidente da Emater/RS, Lino De David.
Volta ao campo
Esse crescimento também está ligado às novas tecnologias e ao aumento da área cultivada em mais 1,49%, chegando aos 7,187 milhões de hectares cultivados. “A agricultura e o agronegócio são muito importantes para a economia gaúcha; somados, representam algo em torno de 70% do PIB do Estado. Cabe ressaltar o aumento da participação da agricultura familiar neste processo, através da diversificação das culturas, e não apenas com grãos. Estamos invertendo uma curva que seria nefasta para nossa economia, pois muitas propriedades não tinham mais descendentes para tocar a agricultura e a pecuária nessas terras. Como, com o auxílio do Governo do Estado, a pequena agricultura voltou a ser rentável, estamos conseguindo manter as famílias no campo”, acrescentou o secretário de Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo, Elton Scapini.
Estimativa por cultura:
Arroz: mesmo com os altos estoques e algumas dificuldades de comercialização na safra anterior, os preços estabilizados acabaram sendo um estímulo para os produtores, que aumentaram a área cultivada em 1,98% para esta safra. Como não existem problemas com as barragens, garantindo a irrigação, a produtividade deve ser máxima em 2014/2015.
Feijão: nem mesmo o valor expressivo do produto nos últimos anos conseguiu diminuir a área cultivada, que vem diminuindo ano após ano, sendo substituída por outras culturas. A projeção dá conta de um encolhimento de 5,24% na área de produção para 2014/2015.
Milho: outra cultura que sofre com a substituição de suas áreas de cultivo pela soja por conta da rentabilidade dos produtos. A diminuição da área cultivada deve ficar em torno de 5,74% em relação ao ano anterior.

Soja: Com preços em alta e uma demanda aquecida, os números parecem apenas confirmar o que já era esperado por todos, com a soja sendo a cultura com maior ampliação de sua área cultivada, mais 2,83%, com uma ocupação de 141 mil hectares a mais nesta safra 2014/2015. Conforme os dados da Emater, a soja está “roubando” áreas que antes eram destinadas a pecuária e até mesmo para o cultivo de arroz, em áreas onde o plantio de soja não eram tradicionais, como a Região Sul, a Campanha e a Fronteira Oeste.