quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

"Ele deve estar muito abalado porque perdeu a eleição para o PT e para o Roque", diz Sandra Xarão

Referindo-se ao atual prefeito, a vereadora eleita avaliou como uma administração sem obras e que não cumpriu com as promessas


A entrevista exclusiva do Cenário de Notícias - Jornal Bom de Ler essa semana é com a vereadora eleita do 
Partido dos Trabalhadores, Sandra Xarão, que tem um histórico político com atitudes firmes em defesa dos direitos humanos. Acompanhe na íntegra.

1 - O que a senhora avalia que tenham sido as maiores dificuldades enfrentadas durante a campanha política, tanto para majoritária quanto para os candidatos a vereadores?

O uso da máquina pública na campanha eleitoral foi muito forte. Nós sabemos e temos provas. Isso dificultou bastante, porque enquanto tu quer trabalhar com consciência chegam aqueles com poder econômico, com distribuição do material, da canalização, de todo aquele trabalho que deveria ser feito antes da campanha eleitoral que eles resolvem fazer exatamente quando entra a campanha, que é calçamento de ruas, balastros, pedras, areias, começam calçamentos em diversos lugares e no fim eles não concluem nada, mas enganam algumas pessoas que ainda acreditam que aquilo seja uma verdade. O uso da máquina pública com certeza atrapalhou bastante a campanha nos dois sentidos, tanto para vereador quanto para o Poder Executivo.


2 - Como vereadora eleita do Partido dos Trabalhadores, quais serão suas prioridades durante esses quatro anos?

Meu mandato sempre foi voltado ao lado humano, à valorização do ser humano e é em cima disso que eu
quero trabalhar. Quero fazer um trabalho de informação com mulheres vítimas de violência e mulheres chefes de família. Isso foi um grande trabalho que eu tive na Câmara, uma grande luta na defesa delas. Quero criar um projeto em que 60% desses apartamentos fiquem no nome das esposas, principalmente daquelas mulheres que sofrem violência doméstica ou que são chefes de família. Quero criar uma semana de discussão sobre o uso da bebida alcoólica, pois o álcool hoje vem destruindo a sociedade, é uma droga lícita em que os jovens têm toda a liberdade de beber, existe um certo controle para os menores, mas o álcool é vendido em qualquer canto. E nós vemos que o álcool mata, atropela, faz com que o marido assassine a sua esposa, o seu familiar. É um transtorno muito grande para a sociedade. Anteriormente eu tinha uma visão em que todo o alcoólatra é um sujeito sem vergonha, mas hoje eu entendo que o alcoólatra é um ser doente, que tem que ser tratado e que, se o Estado vende a bebida alcoólica deliberadamente, ele tem obrigação de tratar as pessoas que querem se recuperar. O Governo, como o ser maior do nosso País, tem que dar possibilidade de pessoas dependentes de qualquer tipo de droga, mas principalmente do álcool, ter oportunidade de se tratar e se recuperar. A nossa luta será por uma semana de conscientização, com trabalho nas escolas, panfletagem, nos meios de comunicação, com pessoas que entendam do assunto, médicos, psicólogos, para falar sobre o prejuízo que o álcool traz à sociedade. Temos vários outros projetos.

3 - Como a senhora avalia a derrota do prefeito Rossano Gonçalves? O que faltou nesse governo para que fosse bem aceito pela comunidade?

Um governo aonde o Executivo fechou suas portas, não atendia ninguém. Uma administração que não fez obras em quatro anos, um governo que não cumpriu com as promessas de campanha. Um governo que extrapolou, que abusou, um governo que na campanha eleitoral usou de um preconceito desumano, foi agressivo e foi arrogante. Faltou diálogo e faltou cumprir com as promessas. Eu acho que as agressões que foram feitas ao candidato de oposição, como ele disse no primeiro debate: Roque, tu te prepara para daqui a vinte anos ser prefeito de São Gabriel. Aí o povo disse "não Rossano, o Roque vai ser prefeito agora, porque nós queremos que o Roque seja prefeito agora". Ele lançou o desafio e perdeu, e, com certeza deve estar muito abalado porque perdeu a eleição para o PT e para o Roque. Com certeza isso deve ter abalado demais os seus princípios, se é que dá para chamar de princípios.

4 - O que a senhora espera do próximo governo?

Espero que seja um governo extremamente humano, que transforme a saúde de São Gabriel de uma maneira em que o cidadão tenha seus direitos respeitados e saiba quais são os seus direitos. Tratar com respeito a questão das filas, não fazer com que as pessoas saiam de casa às 20 horas e passem a noite inteira no frio para esperar uma ficha para ser atendido em um outro dia e chegue lá e o médico não esteja. Nós temos que sentar com os profissionais da saúde, discutir, ver porque isso está acontecendo e resolver harmoniosamente, Executivo e profissionais, para que a gente tenha uma saúde de qualidade, humana em São Gabriel. Queremos uma merenda escolar de qualidade para que as crianças sejam realmente bem alimentadas, porque bolachinha com suco não alimenta, não adianta me dizer que foi orientado pela nutricionista porque eu não acredito que exista nutricionista defendendo bolachinha com suco nas escolas. Boas estradas para os agricultores poderem transportar sua produção, uma cidade limpa e o respeito social, que tem que haver, uma harmonia entre o Executivo e a comunidade. É isso que eu espero e com certeza será assim.

5 - É sabido que a senhora, no passado, enfrentou graves problemas em função de defender a marcha do MST em São Gabriel. Na sua opinião, hoje, os assentados estão vivendo de forma adequada nos lotes do município? O que está faltando para que os mesmos tenham uma vida digna e produtiva?

Ainda falta muita coisa. Eu sempre defendi a reforma agrária e vou continuar defendendo, mas ainda estamos longe do ideal. Isso é uma luta que nós vamos ter com o Incra, com o Governo Federal, para que nós venhamos a atingir os nossos objetivos que é as pessoas estarem realmente assentadas com condições de produzir, com boas escolas, com boas estradas e com estrutura para poderem se manter no campo. As famílias vieram realmente para ficar no campo, mas elas precisam de estrutura e o município não vai fechar as portas para o Governo Federal como esse outro Governo fez. Nós temos que ter a nossa responsabilidade quanto município e o Governo Federal e Governo Estadual também. Esse conjunto do Município, Estado e União é que vai fazer com que realmente os assentamentos funcionem, e também com apoio daqueles que eram tão contra os Sem Terra, queriam mata-los, colocar fogo, atirar veneno, fazer e acontecer, e que agora nessa campanha eleitoral estavam lá acampados pedindo votos. Essas pessoas também têm que estar lá agora. Essas pessoas que tiveram votos lá têm que estar lá trabalhando, ajudando, fazendo com que esses assentamentos se desenvolvam aqui em São Gabriel.


6 - A senhora foi uma das peças fundamentais na questão da CPI dos computadores. A quantas anda esse processo e porque até hoje nada aconteceu? O que a senhora enfrentou em função disso?

O enfrentamento foi muito difícil porque não é fácil presidir uma CPI desse porte, onde nós não mexemos só com o Executivo de São Gabriel, mas mexemos com uma grande quadrilha que era formada no país inteiro e dava golpes, pegando o dinheiro da educação e desviando para se beneficiar. Foi bem difícil, complicado, as ameaças vieram fortes, mas graças a Deus concluímos a CPI, fizemos o relatório, o prefeito foi indiciado por vários crimes e nós estamos aguardando o julgamento. Sabemos que tudo é muito demorado no país mas esperamos que a Justiça seja feita.


7 - Considerações finais:

Eu quero agradecer a oportunidade que o Cenário me dá de poder estar em contato com a comunidade de São Gabriel e agradecer aos nossos eleitores no PT, aos meus eleitores, aos do Roque e a todos aqueles que concorreram e nos ajudaram a chegar lá. Eu sou muito grata!