segunda-feira, 28 de julho de 2014

Pastagens cultivadas garantem alimento para rebanho gaúcho

A ocorrência de chuvas bem distribuídas e a elevação das temperaturas em muitos municípios do Estado favoreceram o desenvolvimento das pastagens nativas, que naturalmente estão perdendo qualidade e quantidade de forragem. Por outro lado, as pastagens cultivadas de inverno estão em pleno desenvolvimento vegetativo, principalmente de aveia, azevém e trevos, sendo algumas em condições para sua utilização no pastoreio direto. De acordo com o Informativo Conjuntural elaborado pela Emater/RS-Ascar, com a ocorrência de sucessivas geadas neste início de inverno, os produtores estão reduzindo a lotação animal, em função da menor oferta de forragem para os rebanhos. Além disso, em algumas localidades, o excesso de umidade e a pouca luminosidade do período afetaram o desenvolvimento das pastagens cultivadas, situação agravada pelo pisoteio dos animais em solo muito úmido, obrigando a retirada do gado.
 O estado sanitário do rebanho bovino de corte é satisfatório, mas a elevação da umidade favorece a proliferação de vermes, entre outros parasitas, exigindo seu monitoramento e controle. Estamos em pleno período de gestação e início da parição de terneiros, fase em que o rebanho de cria exige cuidados especiais. Em relação à comercialização, o mercado de animais para abate segue pouco dinâmico e com preços estáveis na maioria das regiões do Estado.
O rebanho ovino de cria está em plena fase de gestação e início do período de nascimentos dos cordeiros. Os produtores realizam as práticas de manejo pré-parto, como limpeza do úbere, em locais de parição, abrigados dos ventos e das baixas temperaturas. Os rebanhos apresentam razoáveis condições nutricionais e sanitárias. Há restrição de alimentos para os animais mantidos exclusivamente em campos nativos, pois essas forrageiras, com as geadas, sofrem redução de quantidade e qualidade. Devido ao excesso de umidade, a atenção dos produtores para as condições sanitárias dos rebanhos deve ser redobrada, especialmente para prevenir e controlar parasitas, verminoses e manqueira, inibida com a utilização de vermífugos específicos e realizando o casqueamento e pedilúvio (com solução à base de sulfato de cobre).
A semana de poucas chuvas e temperaturas médias mais elevadas foi considerada razoável para o desenvolvimento da apicultura. Os apicultores permanecem alimentando artificialmente as colmeias, pois existem poucas espécies melíferas na fase de floração nesta época do ano, como nabo forrageiro, canola e algumas espécies de eucalipto. Nos municípios com temperaturas mais baixas ou em locais com pouca insolação, os apicultores estão reduzindo os espaços internos das colmeias para diminuir o volume de ar a ser aquecido e, como consequência, reduzir a necessidade de ingestão de mel pelas abelhas. Nesta época de inverno, há boa oferta de mel no mercado e grande procura pelo produto, comercializado, na região de Erechim, a preços que variaram entre R$ 7,50 e R$ 10,00/kg na venda direta ao consumidor e R$ 5,50 e R$ 6,50/kg no atacado.
Trigo – A cultura se encontra praticamente implantada no Estado, alcançando 97% da área, com o plantio devendo se encerrar nos próximos dias, assim que o solo retomar a umidade ideal. As áreas ainda a serem concluídas se localizam na Região Sul e nos Campos de Cima da Serra, regiões essas que historicamente encerram o período de semeadura no Estado. Nas demais, o plantio está concluído, com 93% das áreas em germinação e desenvolvimento vegetativo.
O clima seco e frio nessa fase inicial da planta beneficiou o desenvolvimento vegetativo do trigo, induzindo a mesma a um aumento no perfilhamento e a uma menor suscetibilidade a doenças fúngicas (manchas foliares e ferrugens), além de permitir tratamentos preventivos e o parcelamento de adubações nitrogenadas, visando à recuperação de eventuais falhas de germinação/emergência das sementes. Dentro desse cenário, tanto técnicos quanto produtores têm preferido manter cautela em relação a possíveis alterações das produtividades das lavouras, aguardando a evolução natural da cultura para uma melhor avaliação das áreas implantadas.
Citros - Na região da Campanha, os pomares de citros estão em plena colheita, com produtividade acima da esperada. Já no Planalto Médio, os frutos para a safra 2015 estão desenvolvendo-se com um tamanho um pouco menor do que o normal para essa época. As chuvas não atrapalharam a colheita, que já atinge 60% da produção de laranjas. Já foi concluída a colheita das bergamotas Satsuma e Caí.

Olericultura - Aqueles produtores que têm na olericultura a principal fonte de renda para a manutenção da sua família e que participam de feiras, estão organizados com estruturas de túneis plásticos, estufas e irrigação, o que ameniza as perdas pelas adversidades climáticas. Os pequenos produtores de subsistência estão com suas hortas domésticas bem estabelecidas para a produção de hortaliças, garantindo a alimentação da família.