segunda-feira, 28 de abril de 2014

DE BRASÍLIA - Por Nilo Dias – Jornalista

O Sul é o meu país

Lí nas redes sociais algumas manifestações que pregam a independência dos três Estados do Sul. É o tal movimento “O Sul é o meu país”, que ressurge depois de 22 anos no anonimato.
Dentre os simpatizantes dessa idéia separatista estão alguns gabrielenses, quase todos vinculados ao movimento tradicionalista. Gente que também gostaria de ver a volta das diligências como meio de transporte e outras idéias do tempo em que se amarrava cachorro com linguiça.
No restante do Brasil dizem que nós, os sulistas, somos racistas e neo-nazistas, e que uma das condições do movimento para estabelecer um novo Estado, seria a expulsão de nordestinos, judeus, índios e negros da região.
Mas esse desejo não deve prosperar. Uma cláusula pétrea da Constituição
Federal, diz ser a República brasileira formada pela união indissolúvel dos Estados e municípios, o que torna inconstitucional qualquer intenção de criar um novo país. Há menos que queiram organizar uma nova “Guerra dos Farrapos”. 

Comida para os pobres

Talvez não seja de conhecimento da maioria das pessoas que moram em São Gabriel, a ação humanitária dos assentados do Movimento Sem Terra (MST), em nosso município.
O amigo Guilherme Nascimento Abib, com amplo conhecimento de causa, por fazer parte da administração municipal, confirma que os assentados da Reforma Agrária distribuem comida de graça para quase duas mil pessoas nas vilas e bairros de nossa cidade.
Eu queria saber se os demais proprietários rurais do município, também agem assim. Se alguém souber de um, não precisa mais que isso, unzinho só que nos diga quem é. Pelo que sei a maioria é contra o Bolsa Família, Reforma Agrária e tudo que auxilie os mais necessitados. 

Médicos cubanos

São Gabriel conseguiu dar um passo gigantesco na melhoria da Saúde, com a vinda de 15 médicos cubanos. A maioria da população apóia a iniciativa, mas para variar, tem aqueles adeptos do “quanto pior melhor”, que arrumam desculpas esfarrapadas para se posicionarem contra. 

A cruz de Sepé

A polêmica da semana foi a retirada de uma cruz, que dizem ser em homenagem a Sepé Tiaraju, que se encontrava na Vila Maria há alguns anos, no local onde foi o cemitério da cidade. Ela foi levada para as margens da Sanga da Bica, onde o índio teria sido enterrado.
Isso causou indignação aos moradores da Vila, que não foram avisados que a cruz seria retirada. Mas tudo terminou bem, ela já está de volta ao seu local de origem.
O episódio serve para que se ache respostas para três perguntas: quem colocou a cruz lá, quando e porque? Nem o historiador Osório Santana Figueiredo sabe responder.
Anos atrás um pseudo pesquisador, parece que o mesmo envolvido neste episódio, cavando no local do antigo cemitério da Vila Maria, achou um osso e disse que era da perna de Tiaraju. No mínimo, um atentado a história. 

(E-mail: nilodt@hotmail.com)