quinta-feira, 19 de abril de 2012

Nota de casa noturna é recebida como comprovante de diárias

Vereador ameaçou impedir a circulação do CN se esta matéria fosse publicada



Após uma polêmica envolvendo um vereador, a qual foi espalhada e compartilhada pelas páginas do site de relacionamentos Facebook, a reportagem do Cenário de Notícias – Jornal Bom de Ler entrou em contato
com Fernando da Silva Silva, Técnico em Contabilidade da Câmara Municipal de São Gabriel, concursado. Silva, por sua vez, resolveu abrir para a imprensa o fato que ocorreu no mês de abril de 2011, quando a Câmara de Vereadores do município era presidida por Carlos Alberto Mac Cord Lannes, do partido Democratas. Silva requisitou formalmente ao ex-presidente da Casa a documentação necessária para ser usada como prova dos fatos, o qual deferiu pelo fato de se tratar de documentos públicos.
O vereador envolvido, Vagner Aloy Rodrigues foi procurado por nossa reportagem, deu seu contraponto à matéria, mas ameçou nossa equipe, dizendo que se fosse feita a matéria ele estaria entrando com uma medida Cautelar junto a Justiça, e iria impedir a circulação do semanário.
Os documentos comprovam uma viagem à Porto Alegre, onde o vereador Vagner Aloy Rodrigues (Maninho do PDT), teve deferido o empenho de duas diárias e meia para participar do 5º Curso Permanente de Orientação aos Agentes Públicos, promovido pela União dos Vereadores do Rio Grande do Sul (UVERGS). O valor das diárias foi exatamente R$ 812,50 com acréscimo de R$ 118,00 para passagens, totalizando R$ 930,50 (novecentos e trinta reais com cinqüenta centavos). Até aí tudo bem, se o vereador não tivesse apresentado, ao retornar, como comprovante das diárias um cupom fiscal da empresa Restaurante Lara Ltda, o famoso Clube da Saudade, situado na Avenida Venâncio Aires, 240, em Porto Alegre, no valor de R$ 41,00. No estabelecimento o vereador consumiu quatro cervejas long neck de R$ 6,00 cada e pagou o valor de R$ 17,00 como ingresso ao local. O fato não seria de tanta repercussão, visto que o horário de atendimento exposto no cupom fiscal foi às 3h30, fora do horário dos cursos, se o mesmo não tivesse sido anexado junto ao pedido das diárias como comprovante das mesmas. E mais, o tal comprovante foi aceito e assinado pelo presidente da Casa na época, mesmo tendo recebido do tesoureiro um relatório que dizia que o vereador não apresentava documentos legais da comprovação, tendo em vista que não foram apresentados os cupons fiscais legítimos e sim xérox dos mesmos, o que seria inválido para prestação de contas das diárias, não atendendo às exigências do documento legal. Os cupons também não indicavam o nome do consumidor, o que é ilegal segundo as normas da Casa e o certificado de conclusão do curso não teria sido apresentado no prazo dado pela Casa.
Silva denunciou o caso alegando estar cansado de ver coisas erradas acontecerem tão próximas a ele e tudo ficar longe dos olhos e dos ouvidos da população que elegeu os vereadores, sendo que o dinheiro gasto com as diárias é dinheiro público e deveria ser muito bem avaliado o gasto da verba que talvez pudesse ser melhor destinada para fins mais aproveitáveis, e que pudessem ter alguma repercussão positiva para a população.

CONTRAPONTO

O vereador Vagner Aloy Rodrigues esteve na redação do jornal dando seu contraponto a respeito da matéria, onde disse: “Tudo nos causa estranheza, justamente perto do período eleitoral, justamente com os vereadores do PDT, que começam a aparecer acusações. Segundo ponto, desconheço a tal nota, até porque o servidor Fernando é um servidor que está respondendo a vários processos e não tem credibilidade nenhuma para acusar nenhum vereador da Casa. Se fosse uma pessoa de reputação ilibada, uma pessoa que não tivesse processos tendo ele como réu, aí sim, aí teríamos que dar uma credibilidade ao que o servidor está falando. Eu desconheço a nota. Esta nota foi colocada no meio da prestação das minhas diárias, tanto é verdade que ela não é nominal, não existe um protocolo confirmando que esta nota foi entregue e certamente nós vamos entrar agora com um processo administrativo na Casa, uma sindicância para averiguar os fatos. Vamos entrar com um processo de difamação e injúria contra o servidor Fernando, por estar publicando matérias sem provas,  porque é muito fácil pegar uma diária de qualquer vereador e protocolar qualquer nota dentro do relatório de diárias, porque não existe um controle interno da Câmara e isso é uma falha da Câmara de Vereadores que deve ser corrigida. Eu posso muito bem estar no lugar do Fernando e ele ser o vereador e eu pegar qualquer nota e colocar no meio das diárias dele e sair publicando em qualquer jornal, mas quem conhece nosso trabalho sabe que a gente vem trabalhando pela comunidade. Aquelas pessoas que usam nosso gabinete, as pessoas que usam nosso trabalho sabem do que estou falando. è só entrar no Tribunal de Justiça e colocar o meu nome e colocar o nome do servidor Fernando e vão ver quem é que tem mais credibilidade com a comunidade de estar falando a verdade. Eu sou uma pessoa que nunca teve um processo como réu e espero nunca ter. Não posso dizer o mesmo do servidor, porque certamente ele está nesse desespero porque alguma coisa está para acontecer nos próximos dias e ele vai sair atacando para todos os lados, entretanto, o que o servidor Fernando fez é um crime contra este vereador, porque esta nota foi enxertada no meio da prestação de contas e eu tenho a certeza e a convicção que a comunidade sabe do que eu estou falando e certamente, daqui uns dias, vai vir mais denúncia, ou contra o vereador Nenê, ou contra o vereador Beka, porque o PDT certamente agora vai ser o alvo, porque está chegando perto das eleições e ainda mais de uma pessoa sem credibilidade nenhuma na Câmara de Vereadores, na cidade de São Gabriel. Não estou acusando de nada, mas é só abrir no Tribunal de Justiça e colocar ali Fernando da Silva Silva que vão ver quantos processos tem esse cidadão e coloquem Vagner Aloy Rodrigues e vejam quantos processos tem a minha pessoa, que vamos colocar na balança e saber realmente quem está falando a verdade, quem tem reputação ilibada na comunidade de São Gabriel para que os fatos sejam apurados. Peço à comunidade muita tranquilidade, porque os fatos virão a tona e certamente vamos saber quem é o certo ou o errado após a sindicância dentro da casa, mas eu tenho a tranquilidade e a certeza de que tudo isso aí não passou de uma montagem por esse servidor e certamente tantas outras ainda virão acusando outros colegas da Casa somente por ele. É tão interessante a Câmara de Vereadores ter problemas sempre com o mesmo servidor, será que os vereadores são errados? Será que os vereadores estão trabalhando de maneira errada, de maneira ilegal ou será que esse servidor está querendo condicionar alguma coisa dentro da Casa.Ele alega que este vereador assinou um PAD contra ele em 2010, num processo administrativo e é um direito que eu tenho, como vereador tenho que fiscalizar ele sim, e agora a fiscalização ainda será mais ferrenha. Vamos nos deslocar até Porto Alegre para saber a que pé está o processo contra o servidor Fernando, para que a Justiça mais rápido possível possa agir em detrimento ao que ele vem fazendo”.