terça-feira, 20 de março de 2012

Liberdade para a acusada da chacina

Depois de passar cinco meses detida, a comerciária Raquel Juliana da Silva, 26 anos, deixou ontem o Presídio Estadual de Cachoeira do Sul e promete provar na Justiça que não participou da chacina ocorrida em Novo Cabrais. A liberdade de Raquel foi concedida pela juíza Rosuita Maahs, atendendo ao pedido feito pelos advogados Luciano Coletto e Cristiano Beckel. “Foi um absurdo o que fizeram com a gente. A Polícia nunca nos ouviu, apenas destruiu a nossa família, os nossos sonhos”, desabafa Raquel.
Além de Raquel, outras cinco pessoas estão respondendo ao processo instaurado para investigar a morte de três homens, chacina ocorrida em janeiro de 2010 em Novo Cabrais. O esposo dela, o comerciante Marcos Erli da Silva, o Marquinhos, e o pai dele, Emiliano Erli da Silva, o Lili, também respondem ao processo pela chacina e seguem presos. O pedido de liberdade provisória para Lili foi negado. “Isso é um absurdo. O meu sogro está doente, é um senhor que está com 64 anos e está preso”, lamenta Raquel.
Acompanhada pelos pais, os agricultores Isolete e Nido Vargas, ela preferiu não entrar em detalhes sobre o processo para poder voltar logo para casa. “Eu quero agora descansar e vou fazer de tudo para conquistar a liberdade para meu esposo e meu sogro, que são inocentes”, enfatiza Raquel. Vargas considera equivocada a forma com que o caso foi conduzido pela Polícia. “Eles deveriam ter nos chamado para conversar. Simplesmente agarraram e pediram a preventiva. Eu tenho um nome a zelar e tenho vergonha na cara”, dispara Vargas.

FUGA - De acordo com Raquel, a única alternativa encontrada na época foi a fuga. “Como a gente não iria fugir? Ninguém quer ser preso sabendo que é inocente”, alega a comerciária. Ela, o esposo e o sogro foram presos em outubro do ano passado, em Tramandaí. O advogado Luciano Coletto entende que os três estavam com medo e na iminência de serem presos optaram por fugir. “Vamos provar que eles não cometeram este crime. Não existem provas de autoria desta chacina. Não foram apreendidas armas e na propriedade onde a Polícia aponta que ocorreu o crime não foi achado nenhum vestígio. É estranho”, destaca Coletto. Os outros três acusados do crime já haviam sido presos e estão aguardando o júri popular. Eles já foram pronunciados.

IMPORTANTE
O delegado José Antônio Taschetto Mota observa que ao concluir o inquérito que apurou a chacina ocorrida em Novo Cabrais, os suspeitos já não estavam mais na cidade. Apenas Gelson Márcio Dias foi detido na época, após se envolver em um acidente de trânsito em Candelária.

PARA SABER MAIS
A chacina de Novo Cabrais

> Três dos seis acusados nos processos instaurados para investigar a chacina de Novo Cabrais já foram pronunciados pela Justiça para encarar o júri popular por homicídio qualificado, crime com a pena prevista de 12 a 30 anos de prisão. Não existe, entretanto, data definida para o julgamento.

> Os acusados pronunciados para enfrentar o julgamento são Gelson Márcio Dias, Nilson Florêncio Domingos e Ceodomar Rodrigues, trio recolhido preventivamente hoje no Presídio Estadual de Cachoeira do Sul. Os três negam ter participado do crime.

> As vítimas da chacina foram Alfonso Machado de Mello, o Fonso, o filho dele, Renato Francisco Machado, o Nati, e Alessandro Luís de Mello Schultz, o Preto. Eles foram mortos e os corpos foram transportados para Cachoeira, onde foram jogados no Rio Jacuí.

> Na denúncia que o Ministério Público apresentou para a Justiça consta que as vítimas foram atraídas para a propriedade rural de Lili para participar de um suposto churrasco para festejar o final da colheita do fumo. Mas, ainda segundo a denúncia, o motivo real do convite seria para que eles revelassem o paradeiro de armas sumidas da casa de Lili.

> O Ministério Público acusa o grupo de torturar as vítimas antes de executar o trio e jogar seus corpos no Rio Jacuí, em Cachoeira. A suspeita dos acusados, segundo a Polícia Civil, era de que as armas tivessem sido furtadas por Preto e estivessem sendo guardadas por Fonso.

UMA PERGUNTA

O que diz a decisão da juíza?

A juíza Rosuita Maahs entende que existem indícios de que o réu Emiliano Erli da Silva, o Lili, participou da chacina em Novo Cabrais, “o que não vislumbro quanto à acusada Raquel Juliana da Silva”. Ela observa que a prisão preventiva dos acusados foi decretada visando a garantia da ordem pública e da instrução criminal. Rosuita entende que a liberdade de Lili põe em risco a garantia da ordem pública, apesar do processo já estar instruído. Sobre Raquel, ela afirma que não verifica nos autos indícios de autoria e acrescenta que nenhuma das testemunhas elucida a participação dela na cena do crime.